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Viver a Ciência

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09-Set-2009
ImageHoje em dia esqueçamos o bloco de notas, o essencial, o fundamental, o mais que tudo é o Notebook! Talvez não haja novidade nenhuma nesta afirmação, mas só me deparei com esta realidade durante a ‘World Conference of Science Journalism'. Dos 900 delegados presentes, 200 twittavam diariamente acontecimentos relativos às sessões da conferência e muitos deles em directo, graças ao ‘wirelles' em todas as salas. O impacto do Twitter na disseminação da informação foi de tal forma elevado que a organização da conferência criou uma página no seu website onde colocou todos os twitts com a ‘hashtag' #wcsj. E são páginas e páginas de twitts...  

 


Durante esses dias imaginei a visão que os oradores tinham da plateia. No fundo da sala já não se sentam os que beberam um copo a mais na noite anterior e precisam de uns minutos extra de repouso. No fundo da sala encontra-se uma multidão de caras iluminadas pelos ecrãs dos computadores que de vez em quando laçam olhares furiosos ao tipo que está a ocupar o único lugar com ligação à electricidade (sim, porque tanto tic tic no teclado gasta energia e o edifício tinha ‘wireless' mas era do século passado). Além disso, uma pessoa a teclar não faz muito barulho mas 50 ao mesmo tempo incomodam o inadvertido que se deixou dormir durante a revolução de informação introduzida pelo aparecimento das redes sociais.


Mas não quero parecer o velho do Restelo desta história, afinal eu fui apanhada por este vírus. A disseminação da informação é viral e também nos ataca: "Será que vou ser a primeira a escrever esta observação?"; "Ah que coisa interessante que este disse... aposto que mais ninguém mais reparou e merece ser divulgada" ou "O que é que este disse??". Conclusão: passei os meus dias nas filas do fundo da sala e lutei com unhas e dentes pelos pontos de luz. E como podia eu resistir? Foram três dias de workshops, sessões plenárias e sessões paralelas. Como é possível escolher entre seis sessões paralelas quando tudo é novo e existem três que podem ser determinantes para o meu desenvolvimento profissional e evolução pessoal? Ok... nada de tão dramático, mas a curiosidade de saber o que se discute na sala ao lado está patente. Fica-se também viciado na velocidade de disseminação, no imediatismo da notícia, no Aqui e no Agora.

Em termos de divulgação científica, o Twitter é cada vez mais uma ferramenta de trabalho a ser explorada. A acompanhar esta evolução, a City University London abriu um mestrado em ‘Information, Communication and Society', ou como a PRWeek descreve ,‘um mestrado em Twitter', embora o curso explore também outras ferramentas como o Facebook, YouTube e Wikipedia. No Reino Unido (dados de Agosto de 2009), 83 universidades estão no Twitter, e este número tende a crescer. As universidades usam o Twitter para comunicar com estudantes, manter contacto com os ex-alunos mas também funciona como um espaço para comentários em geral bem como para divulgação de investigação e eventos.

O Twitter pode ser também um modo indirecto de comunicação, já que muitos jornalistas o usam para descobrir tópicos que possam ser interessantes para desenvolver, fontes de informação e partilha de informação. Em Portugal, há cerca de 150 jornalistas identificados no Twitter, mas é razoável admitir que o número real seja muito superior. João Simão fez uma análise interessante em que explora um pouco as vantagens que o Twitter traz a estes profissionais e criou um Top 25 de jornalistas portugueses. Em termos de divulgação de Ciência, existem algumas instituições que já abraçaram esta forma de comunicação, como a Associação Viver a Ciência (Twitter e Facebook) e o Instituto Gulbenkian de Ciência (Twitter e Facebook). No Facebook estas duas instituições têm cerca de 1200 ‘amigos'/ ‘fans' e 750 seguidores no Twitter (a 9 de Setembro). Graças a estas duas redes sociais quase duas mil pessoas já optaram por receber frequentemente notícias dos trabalhos desenvolvidos por ambas e da Ciência em geral. No entanto, existe a necessidade de validar estas experiências em termos de impacto e disseminação de informação.

Para finalizar uma pequena nota: este ano a ‘Association of British Science Writers'  atribuiu o prémio de ‘Best Newcomer' a Ed Young, que escreve sobre Ciência nas mais conceituadas revistas como ‘The Economist', ‘The Guardian', etc, autor dum dos melhores blogues sobre Ciência e o mais profilático twitter durante a World Conference of Science Journalism. Para que o Twitter seja uma forma eficiente de circular informação usando apenas 140 caracteres é, como em tudo, preciso prática e talento, caso contrário vamo-nos encontrar nos 41% do estudo da Pear Analytics (A Pear Analytics  revelou que 41% dos 2,000 twitts analisados nos EUA são sobre ‘nada').

 

Autora:
silviacastroSílvia Castro, PhD
Media Officer; Comunicação de Ciência e Relações Externas do Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras, Portugal),  Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

 


 

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