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Biocombustíveis: uma alternativa sustentável? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 18 Setembro 2008 13:23

Neste pequeno artigo tentamos fazer um apanhado do tema para permitir uma opinião mais informada dos visitantes que particpam no nosso questionário.


Há várias questões que devem ser ponderadas cuidadosamente quando avaliamos os benefícios do uso de biocombustíveis como substitutos dos combustíveis fósseis.

Não há dúvida de que cada vez mais se devem tentar encontrar alternativas. O consumo desmedido, a preocupação com as alterações climáticas, a subida dos preços do petróleo e a insegurança da sua produção tornam esta procura cada vez mais pertinente.

Mas entre as possíveis alternativas, os biocombustíveis estão a encontrar um número cada vez maior de críticos. Com a crescente procura de matéria-prima para biocombustíveis, levantam-se questões como a da competição pelo uso dos campos aráveis ou a destruição da biodiversidade e as suas catastróficas consequências.

 

O que engloba o termo ‘biocombustível'?
 


Os biocombustíveis são produzidos a partir de qualquer fonte orgânica (organismos vivos ou produtos do seu metabolismo) e são por isso uma forma de energia renovável. Os mais importantes no mercado são o biodiesel - produzido com grãos ou sementes e frutos oleaginosos, como soja, coco, algodão, amendoim, palma, etc, normalmente utilizado nos motores a diesel - e o etanol - feito a partir da fermentação dos açúcares de gramíneas e grãos como milho e cana-de-açúcar, habitualmente usado nos motores a gasolina.

Neste momento começa-se também a falar de biocombustiveis de segunda geração que se baseiam na reutilização do estrume, desperdícios alimentares, madeira, palha e esgotos mas faltam alguns anos até que estas alternativas estejam comercialmente disponíveis.


 

Vantagens:
 


Menor impacto ambiental que os combustíveis fósseis
. O etanol de cana-de-açúcar, um dos mais eficientes, pode gerar dez vezes mais energia do que a necessária para o produzir e liberta 25% menos gases com efeito de estufa que os combustíveis fósseis. Por outro lado, o óleo de palma gera muito menos energia e contribui indirectamente para o aumento da emissão de gases com efeito de estufa, através da destruição da floresta com fogos para criar espaço para mais plantações.

É mais barato, principalmente se for produzido em casa, e assume-se como uma Fonte de energia Renovável.

A sua produção não está restrita a certas regiões, o que impede que certos países possam, à partida, exercer controlo sobre outros.

É uma das poucas tecnologias que pode mais facilmente vir a substituir o petróleo nos meios de transporte, uma vez que pode ser usado com os motores existentes actualmente.



 

Desvantagens:

Destruição das Florestas - com consequências desastrosas para a biodiversidade. O aumento da procura resulta em pressões económicas fortes que estão a levar à destruição de florestas virgens para dar lugar a mais lavradio. A extensão de plantações para biocombustível está a ter um impacto enorme na conservação de plantas e animais que vivem nesses habitats, assim como nos padrões de distribuição da água e na protecção do solo.

Menor absorção de gases de estufa, mesmo tomando em consideração que certas culturas de biocombustivel, como a cana-de-açúcar ou o milho absorvem gases de estufa à medida que crescem, estas absorvem muito menos do que as florestas virgens ou até o mato que é destruído para dar lugar às plantações.

Emissão de gases poluentes como consequência do processo de "limpeza" da terra para a transformar em terra arável e da utilização de combustíveis fósseis para fornecer energia para o processamento e transporte dos biocombustíveis.

De acordo com dois artigos publicados na revista "Science" no inicio de 2008, que olham detalhadamente para os efeitos da conversão de grandes extensões de território em terras de para cultivo para fazer combustível, os biocombustíveis produzem mais emissões de dióxido de carbono do que os combustíveis fósseis.

Aumento do preço dos alimentos. Várias entidades apontam para um aumento na ordem dos 3 a 10%, mas segundo um relatório do Banco Mundial, trazido a público pelo jornal britânico "The Guardian", a situação pode ser ainda mais dramática. O relatório aponta a recente explosão dos biocombustiveis como responsável por 75% do aumento mundial dos preço dos alimentos desde 2002.

A Fome pode ser uma das mais nefastas consequências dos biocombustíveis. Nos países mais pobres, as terras anteriormente usadas para o cultivo e criação de gado estão agora a ser usadas para produzir biocombustível.

 


Curiosidade:
 


O biocombustível não é uma invenção nova. Rudolf Diesel, que inventou o motor a diesel em 1882, fê-lo para trabalhar com óleo de amendoim e Henry Ford, no início do século XX, desenhou um dos seus primeiros veículos para andar a etanol.

Estas alternativas não prosperaram devido ao baixo preço do petróleo naquela altura.


Mais Informações:
"Biocombustível ou comida?" (Revista Galileu) | "The true cost of biofuels" (Revista Nature)"More Bad News for Biofuels: They Raise Greenhouse Gases" (Blog Wired) | "Secret report: biofuel caused food crisis" (The Guardian) | "Q&A: Biofuels" (The Guardian) | "Biofuels switch a mistake, say researchers" (The Guardian)