VIDAS A DESCOBRIR

 

O projecto "Vidas a Descobrir" apoia-se na ideia central de que é essencial atrair para a ciência os melhores recursos humanos que dispomos, independentemente do seu género, etnia ou contexto sócio-económico. Não só por uma questão de justiça social, ou aspiração democrática, mas também por interesse da própria ciência: a diversidade é sem dúvida alguma fundamental para o avanço científico. Equipas com pessoas de origens e de modos de pensar diferentes tendem a ser mais inovadoras e a encontrar mais facilmente soluções. Quanto mais diversas são as pessoas, mais diversas serão também as suas abordagens e as questões a que querem responder. E em ciência uma boa pergunta vale tanto ou mais do que uma boa resposta.
Contrariamente ao que se possa pensar, a discriminação sexual no meio científico não está ultrapassada. Em 2000 a European Technology Assessment Network produziu um extenso relatório que afirma que “o sexo de uma pessoa tem uma importância desproporcionada na probabilidade de esta entrar, permanecer e ser promovida no meio científico”.
A imagem prevalente do cientista continua a ser a de um homem branco, com ar enfadonho, encafuado num laboratório. A perpetuação, por vezes inadvertida, deste estereótipo em filmes, na publicidade e até no próprio currículo escolar, podendo parecer inofensiva é de facto muito castradora.
O mundo lusófono é um espaço em que podemos, de forma privilegiada, encontrar exemplos que definitivamente deitem por terra os nocivos estereótipos de que falamos. Este projecto levanta o véu sobre a vida de mulheres moçambicanas, guineenses, cabo-verdianas, angolanas, brasileiras e portuguesas que optaram por contribuir para o avanço da sociedade recorrendo à investigação científica.
Os critérios de selecção das cientistas basearam-se no mérito dos seus trabalhos mas também nos seus percursos profissionais e pessoais, dando relevância não só a pesquisadoras de renome internacional mas também a exemplos de perseverança em condições económicas e sociais menos favoráveis. Ficamos a conhecer mulheres de várias gerações, culturas e etnias que dão um contributo decisivo para áreas de conhecimento científico em que trabalham e para o desenvolvimento dos seus próprios países. A compilação das nossas conversas com elas nos seus locais de trabalho ficou registada no livro Vidas a Descobrir - Mulheres Cientistas do Mundo Lusófono e deu origem a uma exposição de fotografia.
A iniciativa assume uma viagem cultural e científica através de quatro continentes, por países de língua portuguesa. O projecto foi coordenado por Joana Barros que com o apoio de vários jornalistas lusófonos, um conjunto de pessoas ele próprio um espelho de diversidade, foi conhecer de perto as imensas realidades de quem gera conhecimento.
Gostaríamos que ficasse claro que os cientistas vêm todas as cores, formas e géneros, e que os seus trabalhos passam tanto por analisar células num laboratório como por escutar os sons de chimpanzés em florestas remotas. As escolhas de vida destas cientistas deverão servir de exemplo para os mais jovens. Não foi a busca de sucesso ou de dinheiro que as motivou: foi a vontade de aprender mais e esse caminho deixou-os mais rico, tornando simultaneamente o nosso mundo mais rico. Que uma nova geração de cientistas, inspirada por estes exemplos, extravasando fronteiras de etnias, nacionalidades ou estratos sociais, se possa inspirar, para dar o seu contributo na a grande aventura da humanidade.


PRÉMIOS

1º Prémio - Ciência, Engenharia e Valores – Prémio Especial “Implicação da Mulher”, Ciencia en Acción, Santiago de Compostela, Espanha, 2010

O LIVRO
A EXPOSIÇÃO
AS CIENTISTAS
OS REPÓRTERES
APoios

Fundação Calouste Gulbenkian | Fundação Luso-Americana | Fundação para a Ciência e Tecnologia | Agência Lusa | European Molecular Biology Organization (EMBO) | British Council | Programa Operacional Ciência e Inovação 2010 | Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER)